sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Contribuições do coaching no início profissional


1995 - Ingresso na faculdade de Psicologia, Universidade Guarulhos. TUDO novo: pessoas, ambientes, professores, alunos; não precisava mais pedir ao professor para ir ao banheiro ou mesmo sair da sala; entrar e sair a hora que quisesse, afinal, estava na faculdade, portanto uma pessoa adulta e responsável pelos seus atos; e tratada como tal, na teoria.

Termina-se namoros, por vezes começa-se outros. Conhece-se tanta gente interessante – que no decorrer da vida você descobre que não era tão interessante assim mas, de novo, tudo era novidade até então, logo, valia. A facilidade para conhecer pessoas era impressionante! E de quase todas áreas, iguais ou não à sua.

1996 – procura-se por estágio, afinal é bom encontrar “enquanto estudante”, senão, depois que se forma é muito mais difícil; piorando mais ainda quando você tem que responder “você procurou estágio durante a faculdade?” na hora da entrevista.

Para quem consegue, mais gente interessante no pedaço, mais outras mil possibilidades. Começa-se a perceber que nem sempre é possível colocar a teoria em prática. E conflitos podem surgir.

1997 – ufa... terceiro ano. Cadê os dois primeiros? Alguém devolve, por favor...
Dizem, em Psicologia, que esse é o ano decisivo: você será mesmo psicólogo (a) ou não. Começam os testes psicológicos e para a aplicação, mensuração e aprendizado aplica-se na na população cadastrada.

Alguns bem difíceis mas igualmente interessantes. Tem um que mostra a estrutura da personalidade de quem se submeteu a ele. U A U.

A essa altura as pessoas e lugares já não são tão novidades assim mas é um caminho sem volta: você é um adulto e tem que aguentar a pressão e as cobranças, de tudo e de todos.

1998 – ainda é difícil perceber que tudo o que aprendemos faz parte de uma coisa só, pois vemos o ser humano de acordo com a aula do dia: biológica, social, mental ou psíquicamente. Eita gente complicada.

Começa alguns estágios obrigatórios e você tem que dar conta além do seu trabalho em horário convencional, da aula à noite, dos relatórios e afins no final de semana, de todas as matérias – um pequeno detalhe.

O cansaço começa a te visitar. As amigas já não são tão maravilhosas - há um tempo – mas sim chatas e diferentes de você. Os trabalhos em grupo, ai ai ai. Cada um do seu jeito. Cada um com sua opinião que considera “A” certa, “A” melhor. Quando todos do grupo efetivamente contribuem, claro.

Junto com tudo isso, as provas. Quem disse que prova, prova alguma coisa? Que disse que algo escrito num papel timbrado num momento de nervoso prova o quanto sei ou aprendi a respeito de um ser humano?

1999 – Ui... ultimo ano. Alguém me devolve ou me explica onde eu estive esses últimos anos, por favor!

Agora, reta final. Mais estágios e supervisão do que aulas. E in fi ni ta men te mais relatórios. A essa altura você chama Freud de meu amor, por vezes ironicamente, outras para não falar palavras feias. Esquece completamente que devido a ele existe o curso, o qual você está terminando, inclusive.

Você já mudou de grupo por falta de entendimento com uns e outros.

Estágios. Relatórios. Supervisão.
Relatórios. Relatórios. Relatórios.
Supervisão. Mais relatórios. Relatórios.
Começa o tão esperado atendimento clínico, sob supervisão, obviamente. Você aprendeu na teoria o que tem que ser feito. Ok.

Você esperando o seu futuro primeiro paciente, e seu futuro primeiro paciente esperando sua (seu) futura psicóloga(o). Te avisam que ele (a) chegou.
Ao avistá-lo, se você abrir a boca para cumprimentá-lo, o coração sairá antes de dizer “olá”. Se estender a mão todos acharão, inclusive você, que tem Mal de Parkinson. Fora que no caminho para buscar o (a) paciente, dá AQUELA vontade de ir ao banheiro... coisa que não tinha acontecido há segundos atrás pois faz uma semana que você não toma água, portanto, não era para o seu querido organismo dar o ar da graça. Tem uma pessoinha te aguardando.

Concomitantemente, você está tentando lembrar o que tem que falar, perguntar, registrar, ouvir, atentar, ou melhor... registrar, perguntar, falar, registrar, atentar, registrar... Não! É perguntar, ouvir, registrar, falar... SO COR RO! Posso voltar pro primeiro ano?

E relatórios, supervisão, relatórios, supervisão. Arruma isso, melhora aquilo, tira aquilo outro, pesquisa isso, e mais isso, e escreva melhor. Resumo: refaz pra semana que vem.

E o amor vai aumentando pelo professor, pelo supervisor, por todos da sua família a ponto de você sentir vontade de mandá-los para a Tailândia. E você, parar o mundo para descer.

Meio do ano. Isso significa que falta a eternidade do último semestre para terminar a faculdade. Formatura. Ahhh, a tão sonhada que só chegará no século que vem...

Relatórios. Relatórios. Supervisão.

Muda de paciente – o seu segundo futuro - mas as mesmas sensações.

Faltando um mês para terminar alguém tem a brilhante ideia de anotar na lousa os dias que faltam para e fe ti va men te acabar. Os dez últimos vêm desenhado...

Faltam 10 dias.
Faltam 9 dias.
Faltam 8 dias
Faltam 7 dias
Faltam 6 dias
Faltam 5 dias
Faltam 4 dias
Faltam 3 dias
Faltam 2 dias
ÚLTIMO DIIIIIAAA

Fogos, rojões, despedidas, felicidades, tá acabando... acabou!!

No dia seguinte.....................................................................................................: eu sou psicóloga, mas o que é ser uma psicóloga? Oi... tem alguém aí? O que psicólogo faz mesmo? Quem é Freud? Por que todo mundo fala do Freud, o que ele fez?

Agora você não é só um adulto, você é um adulto profissional. Com diploma. “Doutor (a)”, diriam os mais vividos. Gente grande. Responderá civil e/ou penalmente, se for o caso, ao fazer algo errado... Gente grande com responsabilidades... ei, tem alguém aí pra me ensinar como ser gente grande? Eiiii....

E aí que surge o coach. Ele pode te auxiliar a se sentir preparado (a) para exercer a sua profissão. Qualquer que seja. Deixar de ser um estudante para ser profissional, a transição desses papeis, assusta! Como todos os papeis que não desempenhamos, ainda, o seu início é desafiante, conturbado, difícil, confuso... afinal de contas, não sabemos nem por onde começar.

O processo de coaching pode auxiliar nesse início, auxiliar na construção da identidade e de um plano de ação, a entender essa etapa, por fim, a transicionar por esses papeis formando uma base sólida. Ele vai te fazer pensar e voltar a colocar as coisas no lugar e CADA COISA NO SEU LUGAR E NO SEU TEMPO para você se sentir seguro do e no seu futuro.

E isso vai se repetir a cada novo papel a ser exercido, praticado. Até adquirir a experiência necessária para o próximo, e para o próximo, e mais o outro... e ter histórias pra contar, e, quem sabe, começar a auxiliar outras pessoas a encontrarem os seus caminhos e o desconhecido não assustar mais tanto?

O coaching é um processo de transformação. Como dito nas formações, parte-se do estado atual para o desejado. Como você está hoje e como quer estar daqui cinco anos, por exemplo?

E, pra finalizar, no ano seguinte vem uma enxurrada de convite de casamento afinal “acabou a faculdade”, o único ou maior empecilho que tinham, segundo os noivos.

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